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ESCORPIÕES ATACAM NO RECIFE

outubro 08, 2009 · Gabriel Diniz

Este ano, foram registrados 1,5 mil ocorrências de intoxicação exógena (por substância externa) e por animais peçonhentos. O dado foi divulgado na manhã de ontem pelo Centro de Assistência Toxicológica do Hospital da Restauração (Ceatox-HR), referência nesse tipo de atendimento, durante a II Mostra de Saúde SUS Recife. Dos acidentes com animais peçonhentos, os que mais vêm preocupando são os com escorpiões. Segundo o estudo feito pelo órgão, de agosto de 2007 a julho de 2009, foram registrados, no Ceatox-HR, 2.273 acidentes com o aracnídeo, provenientes de 42 cidades pernambucanas.

Recife é responsável pela maior incidência - 58% dos casos. Em seguida, vem Olinda, com 14,5%. Na capital, foram contabilizados casos em todos os Distritos Sanitários (DS), totalizando 109 bairros. As maiores incidências foram nos DS II, III e VI. No DS VI, o segundo bairro com mais notificações é Brasília Teimosa, no Pina. A dona de casa Zilda Maria Rodrigues, de 45 anos, mora na localidade, e já foi picada por escorpião duas vezes. “Na primeira, eu estava torcendo uma roupa quando ele picou a minha mão. Meu braço ficou todo dormente, tive que ir para o HR. Na segunda, fui picada no braço quando estava abrindo a tampa do tanque de lavar roupa”, contou.
Ela disse que encontra frequentemente espécies do animal em sua residência. “O que aparece eu guardo, para mostrar aos agentes de saúde. Semana passada, levaram um frasco meu com nove escorpiões”, detalhou.

Já a dona de casa Auran Reno da Silva, de 41 anos, faz questão de matar o bicho. “Eu quero é distância”, afirmou Auran, que já foi picada três vezes, sempre quando estava arrumando o guarda-roupa. “Dói muito, mas depois passa. Nunca fui a uma unidade de saúde por causa disso”.

De acordo com a chefe do Ceatox-HR, Lucineide Porto, os escorpiões alojam-se em entulhos e alimentam-se de pequenos insetos. “Para prevenir a presença deles, é necessário acondicionar bem o lixo e limpar bem sua área peridomiciliar”, informou. Para quem for picado pelo bicho, ela recomenda que, se adulto, vá a um posto de saúde, e se criança, ao Ceatox-HR. Porto espera que o estudo ajude a detectar o porquê dessas ocorrências. “Esperamos embasar a Prefeitura do Recife para futuras pesquisas e trabalho nas comunidades mais afetadas, seja de limpeza urbana ou capacitação para tratar os pacientes nos postos de saúde, dando agilidade ao atendimento”, ressaltou.

Por Renata Meirelles

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