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250 são demitidos do Estaleiro em Suape

setembro 20, 2011 · Gabriel Diniz

Cerca de 250 trabalhadores foram proibidos de entrar no Estaleiro Atlântico Sul (EAS) no dia de retorno às atividades pós-greve, por terem sido demitidos. Os funcionários receberam um telegrama, emitido no último dia 16, onde o EAS comunica o desligamento por “justa causa”, sem informá-la. A operação conjunta das polícias Civil e Militar monitorou o fluxo dos empregados depois de o Sindicato de Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE) reunir alguns deles em assembleia, onde foram orientados a retomar as atividades no Estaleiro.

A greve começou na última quinta-feira, mas um manifesto por parte de trabalhadores, que não teria sido comandado pelo Sindmetal-PE, causou conflito entre polícia e trabalhadores, resultando em carros quebrados, ônibus, madeiras e pneus queimados, além da obstrução das vias de acesso ao Complexo. Na ocasião, 12 pessoas foram presas. As imagens do protesto, inclusive, foram prejudiciais na negociação entre a categoria e a empresa sobre melhores condições de trabalho. A segurança do EAS sequer permitiu a reportagem de acompanhar a assembleia de ontem.

O vice-presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) no EAS, Cleyton Alves, foi um dos afas­tados do empreendimento, onde trabalhava co­mo caldeireiro. “Eu não participei do manifesto da última quinta-feira. A carta avisando da demissão foi emitida na sexta-feira, quando a justiça ainda não havia se posicionado quanto à legalidade da greve”, disse.

A audiência que decidiria o futuro do movimento seria realizada ontem, mas foi adiada para o dia 28. No despacho assinado pela desembargadora relatora da 1ª vara do Trabalho de Ipojuca, do Tribunal de Justiça do Trabalho (TRT), Maria Clara Saboya, o desembargador Nelson Soares da Silva Júnior classificou que não há mais necessidade emergencial, “em face do encerramento da paralisação dos empregados do Estaleiro”. As partes envolvidas e o Ministério Público do Trabalho foram intimados a participarem da nova audiência.

Mesmo questionado pela reportagem sobre a quantidade de funcionários demitidos e o que exatamente se trata a ‘justa causa” para a demissão, o EAS se limitou a confirmar a retomada dos serviços, “quando a sua força de trabalho, com quase dez mil pessoas, pode retornar às atividades, mobilizada pacificamente pelo Sindmetal”.

Da Folha PE

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