Anuncie

Porto de Galinhas: o contraste da beleza e da sujeira

janeiro 10, 2011 · Gabriel Diniz
Do JC Online

http://www2.uol.com.br/JC/HTML_PORTAL/cultura/imagens/sujeira.jpg
CONTRASTES Sujeira no caminho da praia não condiz com o cenário de cartão postal

Eleita dez vezes seguidas a melhor praia do Brasil, em pesquisa de revistas especializadas em turismo, Porto de Galinhas esconde por trás de suas belezas naturais um grande processo de degradação e abandono. Lixo, esgoto, ruas esburacas e ambulantes tomando conta da faixa de areia são os problemas mais gritantes e que podem ser vistos por todos. Difícil de enxergar apenas pelas autoridades.

"Porto está uma bagunça. É lixo fora do local apropriado e muito esgoto. A prefeitura até que fez um serviço para tentar amenizar o problema do esgoto, mas acho que ficou mal feito. Não adianta nada e o mal cheiro, em determinados momentos, é insuportável", reclama um comerciante, que preferiu não se identificar. Dono de um restaurante, ele conta que muitos fregueses já criticaram o fedor.

"Não tenho o que fazer. Praticamente toda semana a galeria enche de esgoto e transborda. É o cliente comendo e sentindo cheiro de fezes", completa. "Há pelos menos quatro anos reclamamos disso, mas a situação não muda". Diante do quadro, caminhões com bombas de sucção são chamados para, no meio de turistas e a qualquer hora do dia, abrir as galerias e limpar o esgoto. O JC OnLine flagrou um caminhão trafegando pelas ruas da cidade. Ao ser indagado se iria retirar esgoto no meio de uma pista estreita às 11h30, ele despistou, negou a informação e foi embora.

Clique AQUI para ver as fotos dos constrastes em PORTO DE GALINHAS


Também não é difícil encontrar lixo. Na maioria das esquinas, lá está ele, acompanhado de moscas e baratas. "Na época de maior movimento o serviço de coleta deveria ser realizado entre duas e três vezes por dia. Mas isso não acontece. O turista vem a Porto para fazer corrida com obstáculos, desviando de buracos e lixo", informa o nativo Ailton José. Muitas ruas do balneário estão sendo calçadas, aumentando o transtorno.

"O problema é que Porto ganhou fama, mas as autoridades fazem pouco para que essa fama permaneça. Se eu fosse turista, viria uma vez e nunca mais voltava. Veja por exemplo, quem vem de carro. Até conseguir uma vaga para estacionar, já tá na hora de ir embora", reclama o também nativo Damião Batista. De fato, são poucos os estacionamentos existentes em Porto. Com sorte, dá para achar uma vaga e estacionar em dez minutos.

LEIA MAIS
» Prefeitura explica como vai melhorar Porto de Galinhas

Outro fator que chama a atenção, sobretudo na areia da praia, é a grande quantidade de ambulantes. Encontra-se de tudo. "Só não me ofereceram carro, pelo menos até agora", reclama o ator carioca Tiago D'Ávila. De férias em Porto, ele acredita que a prefeitura de Ipojuca poderia disciplinar melhor a ação dos ambulantes que vendem comidas e produtos na praia. "No Rio, já existe esse ordenamento". Também ganha destaque negativo o alto preço praticado em Porto. Na maioria dos cardápios na praia, um peixe não sai por menos de R$ 60. "Tá muito caro. Mas é o preço que se paga pelo fato de Porto estar na mídia o tempo todo", conforma-se o pintor de autos Edson Vasconcelos, que foi à praia com a esposa e os dois filhos, de 7 e 4 anos.

Os próprio ambulantes dizem que a prefeitura não realiza o cadastro dos vendedores. "Desse jeito, muita gente de fora vem para vender aqui. Como os vendedores da região não querem perder espaço, a praia fica lotada de ambulantes", informa a vendedora de água mineral, refrigerante e cerveja Francisca Tenório. Ela, mesmo reclamando, também não é cadastrada.

Outro ponto que ganha destaque negativo diz respeito à preservação dos corais. Como muita gente visita as piscinas naturais, acaba pisando nos corais e prejudicando o meio ambiente. "As pessoas que levam os turistas até as piscinas naturais não têm o cuidado e orientar onde pode pisar e o que pode fazer. Sem a orientação necessária, o meio ambiente acaba prejudicado", afirma o estudante de direito Fábio Macedo, que passou o réveillon em Porto e constatou a irregularidade.

Comentários